Wednesday, December 24, 2008

Leim, leim, leim… nã, nã, nã, … é (quase) Natal

 
“Está tudo decorado, luzente, brilhante, fulgente… e, não obstante a crise, a euforia das compras já começou.

Estamos em contagem decrescente para o Natal, uma época de paz, amor, solidariedade e de regozijo dos comerciantes!

Como já vem sendo hábito, a nossa equipa foi investigar de perto a azáfama das compras natalícias - sábado de manhã, num centro comercial perto de si.

Primeiro impacto: chego ao parque de estacionamento do centro e… tudo cheio! Depois de dar cerca de sete voltas ao parque, em busca de um lugar perdido, acabei por desistir. Saí do parque e encontrei um buraco para enfiar o meu bólide. Andei cerca de 10 minutos a pé, ao frio e à chuva, para chegar ao centro de todas as emoções.

Entro no centro comercial e… a desilusão. Eu sei que estamos em crise mas… as mesmas decorações natalícias do ano passado?! Podiam, ao menos, ter pintado a árvore de Natal ou os enfeites de outra cor. Duas ou três latas de tinta para frigoríficos tinham resolvido a questão. Quer dizer, afinal nós vamos lá gastar o nosso dinheiro! O mínimo que podem fazer é brindar-nos com algo de diferente todos os anos.

Depois deste primeiro impacto iniciei a aventura das compras - a minha missão era de investigação puramente científica e sociocomportamental mas aproveitei para ir diminuindo o volume da minha lista de presentes.

Dei cerca de quatro voltas ao centro comercial sem conseguir entrar numa única loja. Eu bem tentei mas fui arrastada pela multidão que, em torrente, circulava e olhava as montras. Quando, finalmente, as pessoas dispersaram para comer uma bucha, a meio da manhã, pude respirar um pouco melhor e entrar nas lojas.

Aí começou outra aventura: tentar encontrar, no meio da total desarrumação, presentes originais e não muito caros. Alguns itens eram praticamente destroços…

E, de repente, as pessoas (aquelas da bucha matinal) voltaram. Vinha a D. Alzira, cheia de sacas, e acompanhada da filha, o genro e os netos.

Os miúdos entraram na livraria aos gritos e foram a correr atirar ao chão todos os livros da prateleira das histórias infantis. A filha procurava entre os CDs aquele que melhor pudesse satisfazer os gostos daquele senhor das finanças que foi muito simpático e lhe passou os papéis à frente de uma fila de 40 pessoas… e, entretanto, misturava os êxitos de Demis Roussos com o melhor de Amália e Vangelis.

O genro estava parado no meio dos corredores a olhar com cara de mau para os empregados.

A D. Alzira, depois de ter passado por mim e de me ter feito três foguetes numa meia e um arranhão na perna com os sacos das prendas, foi sentar-se a ler um livro de culinária.

Quando olhei à minha volta a livraria estava cheia de gente que queria ouvir CDs, que retirava livros das prateleiras para os colocar no chão, de crianças que corriam atrás dos pais com o DVD da Pequena Sereia e do Rei Leão na mão.
- “Ó pai, ó mãe… eu queeeeeeeeeeeeeeeeeeeerooooooooo!”
- “Cala-te Bruno, caaaaala-te Samanta! Nós não temos DVD!”
- “Mas ó mããããããeeeeeeeeeee… compra!”
- “Tu não me chames mãe! Deixa-me… olha, vai ler aqueles livros com o Pai Natal ali ao fundo!”

Depois disto… desisti… bffff… Natal.

Angie TJ”

in_edusrfa

Posted by musiua at 10:37:26
Comments

3 Responses to “Leim, leim, leim… nã, nã, nã, … é (quase) Natal”

  1. You are so totally right (write!)

  2. coupons tag says:

    re-read this latest entry. i think it’s seriously time to throw in the towell.

  3. xenon says:

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