“Graças à vossa extrema bondade, capacidade de partilha, sentido ético, estético e boa disposição, tenho recebido milhares de e-mails por dia. Quero agradecer-vos por todas aquelas pérolas que me continuam a enviar insistentemente! Fazem-no vezes sem conta… e sem pensar! Bastava apenas a seguinte reflexão: “Isto é ridículo, vou poupar os meus amigos dos acessos de loucura de milhares de mentecaptos. Não vou reenviar um e-mail sem antes o considerar minimamente INTERESSANTE. Já agora, vou também certificar-me de que não envio mecanicamente todos os e-mails que recebo para a minha lista de contactos… é bem provável que o responsável do envio faça parte dela!”.
As mazelas estão à vista… deixei de atender descontraidamente o telemóvel. Agora, sempre que o faço, receio que me peçam para marcar um número com 24 dígitos separados por cardinais nos algarismos cujo produto da divisão por 2 seja superior a 5 e receber em casa uma conta de telefone equivalente ao quádruplo do PIB do Nepal.
Quando participo em eventos sociais não olho directamente para nenhuma mulher. Limito-me a manter os olhos pregados ao chão e apenas faço um ligeiro movimento com o tronco. Em primeiro lugar, porque a minha namorada teria prazer em me esmagar as rótulas com um bastão de basebol, em segundo, porque nos dias que correm muitas delas podem ser homens e, em terceiro, porque tenho medo de acordar sem rins numa banheira cheia de gelo e, ainda por cima, com uma sutura de qualidade duvidosa.
Evito estacionar o meu automóvel em parques de estacionamento com medo que alguém me drogue com uma amostra de perfume e me assalte levando o automóvel para desmantelar e vender no Gabão. Deixei de parar nos sinais vermelhos, o que não tem sido barato, com medo dos assaltos. Sempre que vejo um Seat Leon ou um Toyota Avensis com um autocolante “Bebé a bordo” travo a fundo porque sei que são carros da polícia. Dou por mim, muitas vezes, a analisar criteriosamente as pontes, as placas e os carros na berma dos quilómetros 36, 58, 65, 95, 159, 254, 308 da auto-estrada Porto-Lisboa à procura dos tão falados radares de velocidade.
A minha bebida preferia era a Coca-Cola… até descobrir que elimina facilmente manchas da sanita, desfaz uma costeleta em 24horas, limpa com perfeição uma moeda com uma textura aveludada de verdete e desentope num rápido fechar de olhos qualquer canalização. Como se isto não bastasse, abandonei todas as bebidas de lata… toda a gente sabe que rato que é rato faz as suas necessidades no sítio por onde bebemos.
Doei todos os meus bens ao pequeno Abnair Hikbar, um jovem turco de descendência vietnamita. Abnair foi atropelado duas vezes pelo mesmo comboio aos 7 anos e sofreu recentemente uma electrocussão capilar com um desfrisador de cabelos “Made in China”. Abnair Hikbar espera ansiosamente pela contribuição dos internautas para poder fazer a tão esperada operação de mudança de sexo. Quer chamar-se Vilma Sharapova.
Vou contar-vos um segredo… não há nada que dê mais descrédito a um e-mail do que um assunto “FW:FW:FW:FW:FW: IMPORTANTE!”.”
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